O Brasil poderá anunciar em breve o rompimento do acordo automotivo com o México. A decisão, dada como certa pelo jornal Valor Econômico, seria comunicada nos próximos dias, com a volta ao país da presidente e dos ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e das Relações Exteriores, Antônio Patriota, que se encontram em visita oficial a Cuba. O assunto vinha sendo estudado há alguns meses pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O motivo seria o crescimento nos últimos anos das importações de veículos e peças vindos do México e a resistência do governo daquele país em elevar o índice de nacionalização de seus produtos. Na situação em que está, o governo brasileiro teme uma invasão de automóveis locais no Brasil.
Atualmente, pelo acordo estabelecido, os veículos fabricados no México e exportados para o Brasil não são considerados como importados, ficando isentos do Imposto de Importação e do adicional do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos estrangeiros de 33 pontos percentuais. Em 2011, o Brasil teve um déficit no comércio de veículos de mais de US$ 1,5 bilhão.
Desde o final do ano passado, o governo brasileiro vem negociando com o México uma revisão do acordo, sem sucesso. O Brasil quer mudar a forma de cálculo do índice de nacionalização: em vez de o percentual de 65% ser aplicado sobre o preço de venda dos carros (que embute custos administrativos, de marketing, mão de obra e lucro da fabricante), seja feito apenas com base no processo produtivo da montadora.
Se o Brasil mudar a regra e o parceiro comercial não, os veículos produzidos no México ficariam mais competitivos que os brasileiros. Além disso, correria o risco de que as novas fábricas interessadas em se instalar no país sejam transferidas para o México, que tem um menor custo de produção.
Atualmente, várias montadoras, como a Chrysler, Dodge, Fiat, Ford, GM, Honda, Nissan e VW, exportam seus veículos do México para o Brasil. Lá são produzidos o Chrysler Journey, Fiat 500, Fiat Freemont, Chevrolet Captiva, Chevrolet Malibu, Dodge RAM, Honda CRV, Nissan March, Nissan Tiida, Nissan Versa e Nissan Sentra, além de VW Jetta, VW Bora e VW Beetle, todos eles vendidos no mercado brasileiro com preços atrativos.
Caso o acordo seja cancelado, esses modelos teriam que pagar Imposto de Importação e o adicional de 33 pontos percentuais de IPI, inviabilizando a sua venda por aqui.
De acordo com dados divulgados pela Abeiva (representante dos importadores) e da Anfavea (que reúne os fabricantes), o Brasil importou 853.729 veículos em 2011. Deste total, 654.363 (76,65%) foram trazidos por montadoras instaladas no país. Dos carros importados pela indústria local, 44% vieram da Argentina (a maioria) e 13,8% do México, com os quais o Brasil mantém acordo comercial.
Fontes: Carsale |