FolhaPress

Anvisa nega aval para uso emergencial de medicamento antiviral contra Covid

Segundo agência, Avifavir não mostrou benefícios no tratamento da doença e não atendeu requisitos mínimos

Foto: Jorge Bernal /AFP

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa) negou nessa terça-feira (22/6) autorização para uso emergencial, em pacientes hospitalizados com Covid, de um medicamento antiviral chamado de Avifavir.

A decisão foi unânime entre os diretores. A avaliação é que o medicamento não atendeu requisitos mínimos de segurança e eficácia para esse uso.

O pedido para uso emergencial havia sido feito no fim de abril pelo Instituto Vital Brazil. A ausência de dados completos, no entanto, atrasou a análise.

O remédio é fabricado pelas empresas russas API Technologies JCC e Joint Stock Company Chemical Diversity Research Institute.

O medicamento é feito pelas empresas com o composto favipiravir, usado no Japão desde 2014 contra a gripe e alvo de estudos recentes para a Covid. Até o momento, porém, nenhuma outra agência no mundo deu aval para uso do remédio contra a doença, diz a Anvisa.

Análise de áreas técnicas da agência também apontou que “as limitações, incertezas e riscos da aprovação do uso emergencial do Avifavir superam os benefícios no tratamento de pacientes com Covid-19”.

A posição foi seguida pelos diretores. “A agência deve usar de todas as vias possíveis para fazer com que novos tratamentos estejam disponíveis para os pacientes o mais rápido possível. Entretanto, não se pode autorizar o uso de um medicamento que não demonstrou benefício clínico no tratamento da Covid-19 e ainda pode resultar em riscos à saúde dos pacientes”, afirmou a diretora Meiruze Freitas.

Entre os problemas detectados, estão fragilidades metodológicas do estudo. Para técnicos da área de medicamentos da Anvisa, não é possível afastar a possibilidade “de que os resultados favoráveis dos desfechos primários de eficácia tenham sido observados meramente ao acaso.”

A avaliação, assim, deixou dúvidas sobre a eficácia e segurança do medicamento para a Covid, apontou equipe da agência. Dados demonstraram teratogenicidade em animais, o que indica possíveis riscos a fetos em gestação, levando à contraindicação do uso em mulheres grávidas, por exemplo.

A reportagem procurou o Instituto Vital Brazil para comentar a análise da Anvisa, mas não recebeu retorno até o momento.

Nos últimos meses, a Anvisa já deu aval para três tratamentos contra a Covid. Entram na lista o rendesivir e as associações de anticorpos casirivimabe e imdevimabe e o banlanivimabe com etesivimabe.