Congonhas consegue absorver aeroportos que seriam leiloados com Santos Dumont, diz secretário

Congonhas e Santos Dumond são considerados as joias da coroa

O bloco de aeroportos liderado por Congonhas, em São Paulo, tem capacidade financeira para absorver os três terminais mineiros que iriam a leilão com o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, defendeu nesta terça-feira (1º) o secretário nacional de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann.

Congonhas e Santos Dumont são considerados as joias da coroa da sétima rodada de concessões aeroportuárias, prevista pelo governo federal para o primeiro semestre deste ano.

Em um aceno a políticos e empresários fluminenses, o Ministério da Infraestrutura informou na segunda-feira (31) que o Santos Dumont será leiloado sozinho, e não em um bloco com os terminais mineiros de Montes Claros, Uberlândia e Uberaba, além do aeroporto de Jacarepaguá (RJ).

Com isso, houve um redesenho nos lotes em disputa, e o trio de Minas foi adicionado ao grupo liderado por Congonhas. O bloco capitaneado pelo terminal paulista já contava com aeroportos do Mato Grosso do Sul e do Pará –Campo Grande (MS), Corumbá (MS), Ponta Porã (MS), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA) e Altamira (PA).

“O Ministério da Infraestrutura (Minfra) realiza o estudo de cada aeroporto, individualizado, e para cada ativo identifica o valor presente líquido, fluxo de caixa livre do aeroporto, previsão de investimentos, receitas e despesas”, afirmou Glanzmann em nota encaminhada à reportagem.

“Então, a partir dessa estratégia de política pública, o Minfra identificou que o bloco que inclui o aeroporto de Congonhas tem valor presente líquido para absorver os aeroportos do estado de Minas Gerais”, completou.
Para o economista Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, a inclusão dos três aeroportos mineiros não deixa menos atrativo o bloco de Congonhas.

“Nesse caso, estamos falando de regiões muito dinâmicas economicamente. O bloco ainda pega um eixo muito forte”, diz Oliveira, que também coordena o Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O redesenho dos blocos da sétima rodada veio após o modelo de concessão do Santos Dumont virar alvo de impasse e troca de farpas.
No Rio, a separação do terminal na disputa é vista como uma tentativa do governo federal de dialogar com o estado e acalmar os ânimos.
A medida, contudo, não eliminou o principal ponto de discórdia da concessão, que é a possibilidade de ampliação de voos no Santos Dumont.

Lideranças fluminenses consideram que um grande aumento da oferta, após o leilão, colocaria em xeque as operações do aeroporto internacional do Galeão, também localizado no Rio.
A avaliação é que haveria chance de canibalização entre os empreendimentos, o que poderia dificultar ainda mais a retomada do Galeão no pós-pandemia.
Inicialmente, o governo federal se mostrou favorável à ampliação dos voos no Santos Dumont.

“A inclusão dos três aeroportos mineiros no bloco traria necessidade de mais investimentos para o futuro concessionário. Isso iria gerar uma pressão para trazer um número maior de voos para o Santos Dumont”, disse na segunda-feira (31) ao jornal Folha de S.Paulo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação do Rio, Chicão Bulhões.

“A retirada é positiva, mas a modelagem vai precisar ser discutida no grupo de trabalho”, acrescentou.
A sétima rodada de concessões envolve 16 aeroportos. O Ministério da Infraestrutura projeta investimentos na casa dos R$ 8,63 bilhões. Antes de fazer o redesenho do certame, os ativos seriam distribuídos em três lotes. Agora, são quatro.

Pelo edital original, Congonhas também teria em seu bloco o terminal de Campo de Marte (SP). Esse empreendimento foi unido a um novo lote, dedicado à aviação executiva, com Jacarepaguá. Anteriormente, o terminal fluminense fazia parte do grupo do Santos Dumont.

“Os dois aeroportos [Campo de Marte e Jacarepaguá] têm características únicas. São aeroportos voltados para aviação executiva, com grande potencial de exploração imobiliária, o que resulta em um alto valor de mercado perante os investidores. Os blocos foram pensados neste sentido”, diz o secretário Glanzmann.

O bloco Norte II, formado por Belém (PA) e Macapá (AP), não teve alterações. As mudanças anunciadas pelo governo federal ainda precisam passar por análise do TCU (Tribunal de Contas da União).

A disputa no Rio Menos de 20 quilômetros separam o Santos Dumont do Galeão. Políticos e empresários fluminenses avaliam que o Santos Dumont tem potencial para atrair voos domésticos, mas sofre com limitações geográficas no centro do Rio.

O Galeão está localizado na Ilha do Governador, distante dos demais bairros da região metropolitana cuja ligação viária é a Linha Vermelha, local frequente de trânsito e tiroteios. O terminal foi planejado para receber aeronaves de grande porte e exerce papel relevante na logística de cargas no estado.

O economista Gesner Oliveira, da GO Associados, acredita que a batalha criada em torno da concessão do Santos Dumont não deve afastar o interesse privado.

“Sempre há uma resistência em processos de concessão. Não acredito que isso diminua o apetite de investidores, até por ser um mercado que é muito subdesenvolvido no Brasil”, aponta.

Por Leonardo Vieceli 

 

Sair da versão mobile