Estátua de Marielle Franco é inaugurada no local onde ela fazia discursos no Rio – Mais Brasília
FolhaPress

Estátua de Marielle Franco é inaugurada no local onde ela fazia discursos no Rio

A estátua foi construída com doações de 600 pessoas

Marielle Franco
Foto: Mário Vasconcellos/ Agência Brasil

No dia em que completaria 43 anos, nesta quarta (27/7), a vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros em março de 2018, foi homenageada com a inauguração de uma estátua na praça Mário Lago, local conhecido como Buraco do Lume, no centro do Rio de Janeiro.

O lugar, próximo ao largo da Carioca, foi escolhido porque era ali que Marielle ia toda sexta-feira prestar contas sobre o mandato na Câmara Municipal para milhares de pessoas que passam pela região diariamente.

A estátua de Marielle foi construída com doações de 600 pessoas, tem tamanho real de 1,75 e foi instalada em cima de um caixote semelhante ao que a parlamentar usava para fazer discursos.

A escultura representa a vereadora com o punho esquerdo erguido para o alto, um gesto histórico que representa a luta do movimento negro. Marielle foi retratada sorrindo, como aparece em grande parte de suas fotos e vídeos.

“Vamos celebrar e erguer homenagens a quem dedicou sua vida para defender um mundo mais justo e para lutar pelos direitos de todas as pessoas”, diz nota do Instituto Marielle Franco sobre a inauguração. “Defender a memória de Marielle e de mulheres negras é gerar referências para as novas gerações e lutar por justiça e reparação”.

Para a inauguração foram programadas aula pública com o tema “a Memória é semente para novos futuros”, apresentação da DJ Lene Gil e performances de poetas. A educadora Anielle Franco, irmã de Marielle, a escritora Eliana Alvez Cruz e a professora Thula Pires, da PUC-Rio, serão as responsáveis pela aula pública.

A iniciativa de realizar a campanha para erguer a estátua é do Instituto Marielle Franco, criado pela família da vereadora. A obra, em bronze, é do artista Edgard Duvivier, escultor de estátuas de personalidades como Pelé, Clarice Lispector, Lima Barreto e Garrincha.

Marielle e o motorista Anderson Gomes foram assassinados a tiros há quatro anos, na noite de 14 de março de 2018, em emboscada no centro do Rio. Nos dias seguintes ao crime, também teve início uma campanha difamatória, com fake news sobre relações que jamais existiram entre a vereadora e traficantes.

Os ex-policiais militares Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos, e Élcio de Queiroz, acusado de dirigir o carro usado no crime, foram presos em março de 2019 e se tornaram réus pelos homicídios de Marielle e Anderson. As autoridades ainda não identificaram os possíveis mandantes dos assassinatos.

O Instituto Marielle Franco mantém uma linha do tempo que mostra as mudanças de delegados à frente da investigação e a mobilização de familiares, ativistas e artistas para que o crime não seja esquecido.

Em julho de 2021, o escadão Marielle Franco, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, com pintura em homenagem à vereadora, foi pichado com as frases “Viva Borba Gato”, além dos números “666”, que remetem a grupos neonazistas. Artistas e integrantes de movimentos sociais limparam e restauraram o espaço.

Por Cristina Camargo