Indústria de alimentos vê preços pressionados com demanda externa e custos altos

O avanço foi impulsionado pela retomada da economia mundial

A indústria de alimentos vê preços pressionados no começo de 2022 com a demanda externa aquecida e a pressão de custos que atinge o setor, afirmou nesta terça-feira (15/2) o presidente-executivo da Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), João Dornellas.

“Neste início de ano, a pressão continua. O mercado global continua aquecido, e os custos, pressionados”, disse o dirigente em entrevista coletiva.

Na visão de Dornellas, o que pode atenuar a inflação para o consumidor é a perspectiva mais positiva da safra em 2022, mesmo com o registro de eventos climáticos adversos na largada deste ano. Entre os riscos atuais, estão a seca na região Sul e os reflexos das fortes chuvas em estados do Sudeste e do Nordeste.

“Se a safra for muito boa, vai ajudar a controlar a pressão sobre os alimentos”, projetou Dornellas.
A produção brasileira de grãos na safra 2021/2022 está estimada em 268,2 milhões de toneladas, segundo dados divulgados no último dia 10 pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

O volume, se confirmado, representará um crescimento de 5% na comparação com a temporada passada (2020/2021), ou cerca de 12,8 milhões de toneladas a mais. A Conab, entretanto, já indicou que os efeitos negativos do clima no começo do ano reduziram a projeção –a alta prevista em janeiro era de 12,5%.

Nesta terça, a Abia anunciou que a produção da indústria de alimentos cresceu 1,3% em 2021. As vendas, por sua vez, avançaram 3,2% em termos reais no ano passado. Para 2022, é esperada uma alta entre 1,5% e 2%.

As exportações, que representam 26,5% do faturamento do setor, aumentaram 18,6% em 2021, atingindo o patamar recorde de US$ 45,2 bilhões.
O avanço foi impulsionado pela retomada da economia mundial, combinada com a taxa de câmbio mais alta, conforme a entidade. Para 2022, a Abia prevê embarques entre R$ 45 bilhões e R$ 46 bilhões.

A entidade ainda apontou que, em 2021, o número de trabalhadores ocupados na indústria de alimentos subiu 1,2%, totalizando 1,7 milhão. Na prática, isso significa 21 mil novos empregos.
Segundo a Abia, a produção de alimentos ficou mais cara na pandemia devido a uma combinação de fatores, que envolve demanda aquecida no mercado internacional, avanço das commodities e disparada dos preços de embalagens.

“Tudo isso afeta os custos no Brasil e no mundo inteiro”, disse Dornellas.
Na crise sanitária, a inflação e as dificuldades no mercado de trabalho levaram parte dos brasileiros a buscar mais doações de alimentos e até mesmo sobras de comida para o sustento diário.

Nesta terça, um estudo mensal do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indicou que a inflação sentida pelos mais pobres foi equivalente a quase o dobro da verificada entre os mais ricos em janeiro de 2022. A alta dos preços para a camada com renda considerada muito baixa foi puxada pelo avanço de alimentação e bebidas.

Por Leonardo Vieceli 

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