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Investigado por incêndio de Borba Gato, entregador deve se apresentar à polícia

Paulo "Galo" Lima é também fundador do Movimento dos Entregadores Antifascistas

MÔNICA BERGAMO
O paulistano Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido também como “Paulo Galo”, deve se apresentar nesta quarta-feira (28) no 11º Distrito Policial de Santo Amaro, que investiga o incêndio contra a estátua de Borba Gato, em São Paulo.

Entregador de aplicativos, Paulo está sendo investigado por supostamente participar do ato. Ele é integrante do movimento Revolução Periférica.

“Ele vai se apresentar e dar a versão dele dos fatos, bem como explicar suas motivações”, afirma o advogado André Lozano Andrade.

A polícia já tinha indiciado Thiago Viera Zem, dono do caminhão que foi usado para o transporte de pessoas e pneus até o monumento de Borba Gato.

Na petição em que declara que Paulo Lima quer colaborar com as investigações, a defesa afirma já ter tomado conhecimento da existência de representação pela expedição de um mandado de prisão contra ele.

Os advogados pedem acesso ao inquérito para poder exercer o direito de defesa. E afirmam que, mesmo ciente do risco de prisão, o entregador “não irá se furtar de seu dever cívico frente à autoridade policial e o poder Judiciário”.

Paulo “Galo” Lima é também fundador do Movimento dos Entregadores Antifascistas.

No sábado, um grupo desembarcou de um caminhão e espalhou pneus na avenida Santo Amaro e em torno do monumento, ateando fogo logo depois. O movimento Revolução Periférica assumiu a autoria do incêndio.

Policiais militares e bombeiros chegaram na sequência, controlaram as chamas e liberaram o tráfego. O ato terminou sem feridos nem detidos.

Em um vídeo postado nas rede sociais no dia 14 de julho, um dos integrantes do grupo afirmava que Borba Gato contribuiu ativamente para o genocídio da população indígena.

​Na sexta-feira (23), um dia antes do incêndio, o grupo tinha publicado outro vídeo no qual alguns de seus membros apareciam colando cartazes pelas ruas da cidade com a frase “Você sabe quem foi Borba Gato?”.

O advogado criminalista Conrado Gontijo, doutor em direito penal pela USP, afirmou à reportagem que a atitude de atear fogo ao monumento pode ser reprimida criminalmente, pois há crime de dano contra o bem público praticado por meio de materiais inflamáveis. E essa atitude, diz ele, “não está abrangida pelo direito de liberdade de expressão”.

Gontijo afirma que, mesmo considerando inaceitável as homenagens a pessoas que apoiaram e executaram atos que contribuíram para o extermínio indígena e para a escravidão, o monumento é protegido pela lei penal.​