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Ministério se reúne com ONG Cacique Cobra Coral por ‘tragédia energética’

O tempo seco já afeta o meio ambiente, preços das contas de luz e dos alimentos e o abastecimento de água em algumas regiões

Foto: Reprodução/TV TEM

Para conversar com uma instituição que alertava para uma “tragédia econômica e energética” decorrente da falta de chuvas, servidores do Ministério das Minas e Energia (MME) se reuniram com representantes da Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC). Em seu site, a ONG informa que é presidida por uma “médium que incorpora o espírito e mentor Cacique Cobra Coral, que também já teria sido de Galileu Galilei e Abraham Lincoln”.

A fundação pediu uma audiência com o ministro Bento Albuquerque porque previa “blackout no Centro-Sul [do país] a partir de 16/10/21 se medidas urgentes não forem adotadas”, de acordo com transcrição de email de 2 de setembro, enviada à reportagem pela assessoria de imprensa do Ministério neste domingo (17).

O tempo seco já afeta o meio ambiente, preços das contas de luz e dos alimentos e o abastecimento de água em algumas regiões -especialistas dizem que, se não houver muita chuva nos próximos meses, a situação tende a se agravar.

“Vimos pelo presente solicitar uma audiência extra agenda para para [sic] ontem, afim [sic] de tratarmos da tragédia econômica x energética acima e os meios para recuperar tais precipitações irregulares no lugar certo ainda na estação inverno que se finda e primavera, cujo verão precisará ser antecipado ja [sic] na primavera”, diz o email divulgado pelo governo federal.

O remetente da correspondência era Osmar Santos, que usou seu email profissional, da “Cacique Cobra Coral Foundation” (cuja tradução livre é Fundação Cacique Cobra Coral) e assinou o texto como responsável pelo setor de “relações governamentais” da seguradora Tunikito, “mantenedora oficial da www.fccc.org.br”, o site da Fundação Cacique Cobra Coral.

A reunião foi realizada por videoconferência na última quinta-feira (14), com servidores da Secretaria de Energia Elétrica do ministério, segundo a assessoria.

“O Ministro de Minas e Energia sequer foi informado acerca da citada solicitação de audiência e igualmente não participou da referida reunião”, afirmou a pasta -apesar de o próprio site do governo indicar que a secretaria faz parte do ministério.

Um dos servidores que participaram do encontro foi o diretor do Departamento de Monitoramento do Sistema Elétrico, Guilherme Silva de Godoi. Em sua agenda, consta reunião com a “FCCC”, a sigla da fundação.

Segundo a assessoria da pasta comandada por Albuqurque, a fundação anunciou que faz previsões diversas sobre a natureza.

“Durante a audiência, o senhor Osmar relatou aos técnicos do MME que o instituto faz serviços de previsões dos mais variados tipos”, diz texto enviado à reportagem. “Destaca-se que o trabalho no MME é pautado, estritamente, na fundamentação técnica, no interesse público e pela transparência nas ações executadas.”

O site da fundação afirma que sua missão é “minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza”. A instituição não atendeu aos pedidos de esclarecimentos feitos pela reportagem neste domingo.

Mas Osmar Santos disse à revista Veja que a médium da Fundação, Adelaide Scritori, iria trazer “muita chuva” para Minas Gerais a partir de novembro.

A instituição costuma anunciar contratos com governos locais, como com a Prefeitura de São Paulo, o Distrito Federal em 2017 e a Prefeitura do Rio. A FCCC já afirmou ter dado conselhos a ministros do governo Bolsonaro e até fechado parcerias para ajudar no desencalhe de um navio no canal de Suez, no Egito.

Por Eduardo Militão