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Moradores retiram corpos de mangue e acusam a PM de chacina no Rio

No fim de semana um policial foi morto e houve ação na região contra traficantes

Foto: Reprodução/TV Globo

Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, retiraram ao menos 7 corpos com marcas de tiro de uma região de mangue da comunidade, na manhã desta segunda-feira (22/11), e acusam a Polícia Militar de chacina. As vítimas estão sendo localizadas após um fim de semana em que um policial foi morto no sábado (20/11) e houve uma ação policial na região contra traficantes, no domingo (21/11). Nenhum dos corpos foi identificado até o momento.

De acordo com a PM, no sábado (20), equipes do Batalhão de São Gonçalo foram atacadas “nas proximidades de uma área de mangue com mata”. O sargento da PM Leandro da Silva foi ferido, levado para o hospital, mas não resistiu e morreu.

Ontem, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) também esteve na região, após a PM receber informações de que um dos homens responsáveis pelo ataque que vitimou o PM ainda estava ferido no interior da comunidade.

Segundo a PM, houve confronto e um homem morreu no local. A corporação afirma que ele foi reconhecido como um dos envolvidos no ataque criminoso à guarnição da PM.

Uma idosa também ficou ferida. Carmelita Francisca de Oliveira foi atingida no braço, levada para o hospital, medicada e liberada.

Moradores falam em chacina

Uma moradora de outro ponto da comunidade, que não será identificada, disse que mensagens circulam em aplicativos de mensagens relatando que muitos mortos foram achados na região.

A PM informou que “dará início a uma ação no local e permanecerá na região para garantir o trabalho de perícia da Polícia Civil”.

A Defensoria Pública do Rio disse que recebeu relatos sobre a violenta operação no Complexo do Salgueiro ainda na noite de ontem e informou que a ouvidoria comunicou o caso ao Ministério Público para adoção de medida cabíveis. A Defensoria disse ainda que está em contato com as lideranças locais prestando orientações necessárias.

O defensor público geral Rodrigo Baptista Pacheco disse no Twitter que o órgão acompanha o caso e que se encontrará com as famílias no começo da tarde de hoje.

“Equipes da Defensoria Pública e da Ouvidoria, em companhia de outras entidades (OAB, Alerj e Faferj), irão hoje, às 14h, atender as famílias do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo”, escreveu ele.

Segundo a PM, foram apreendidos na ação duas pistolas, 14 munições calibre 9 milímetros, 56 munições de fuzil calibre 762, cinco carregadores (02 para fuzil e 03 para pistola), um uniforme camuflado, 813 tabletes de maconha, 3.734 sacolés de pó branco e 3.760 sacolés de material assemelhado ao crack. A ocorrência foi encaminhada para a delegacia da área

Por Marcela Lemos