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Operação Mar Aberto: PF prende grupo que exportava cocaína em barcos pesqueiros

Cem policiais cumprem 20 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo

Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (23/11), a Operação Mar Aberto, para desarticular organização criminosa especializada em tráfico internacional de cocaína. Por meio da simulação de operações de pescas, os suspeitos tentavam movimentar toneladas de cargas da droga para alto mar, onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e Europa.

Ao todo, cerca de 100 policiais cumprem 20 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina (Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Porto Belo, Florianópolis, Itajaí, Navegantes e São José), Paraná (Curitiba e Matinhos) e Espírito Santo (Itapemirim), além de seis mandados de prisão preventiva de outros investigados.

Na ação, autorizada pela 1ª Vara Federal de Itajaí, também estão sendo sequestrados veículos, imóveis e duas embarcações de pesca industrial, pertencentes ao grupo criminoso.

As investigações da PF tiveram início em outubro de 2020 e identificaram uma organização criminosa que se apossou de barcos de pesca industrial para transportar grandes quantias de cocaína para o exterior.

Além da aquisição de barcos de grande autonomia e capacidade de armazenamento de carga, os suspeitos contrataram, em vários pontos do país, tripulações especializadas na atividade de navegação marítima para realização de longas travessias intercontinentais.

Por meio da simulação de operações de pesca, os criminosos buscavam dissimular o carregamento e movimentação de cargas de cocaína até determinados pontos em alto mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e Europa.

Durante pouco mais de um ano de investigação, a Polícia Federal identificou três barcos pesqueiros, além de operadores logísticos e gerentes operacionais em solo.

Apreensões

Em 3 de julho deste ano, foi abordada uma embarcação na foz do rio Itajaí-Açu, a qual estava carregada com 2,8 toneladas de cocaína ocultas sob densa camada de gelo. Na ocasião, sete tripulantes foram presos em flagrante. Em uma segunda fase da investigação, deflagrada em 16 de setembro e denominada operação Coroa, outros sete envolvidos também foram presos, todos ligados a atividades logísticas de facilitação à operação de tráfico.

No dia 20 de julho, outra embarcação foi abordada por equipe da PF junto à costa da cidade de Porto Belo (SC), sendo localizados 844 kg de cocaína no porão da embarcação, ocultos dentre as redes de pesca. Naquele dia oito pessoas foram presas em flagrante.

Uma terceira embarcação, também originária da frota pesqueira de Itajaí, estava sendo monitorada desde sua estada junto ao porto de Natal (RN), de onde partiu em 27 de fevereiro. Em aproximação ao litoral de Recife (PE), teria sido carregada com 2.800 kg de cocaína e seguiu viagem rumo à costa da África. Perseguida em alto mar, a tripulação teria dispensado às bolsas náuticas que continham a droga, não sendo possível a apreensão da carga ilícita naquela oportunidade.

Posteriormente, entre os meses de maio e julho, bolsas de cocaína começaram a chegar no litoral da Bahia e Espírito Santo, onde foram sendo encontradas pela população local. Há registro de que até o momento foram localizadas 17 bolsas náuticas intactas, carregadas com 442 kg de cocaína.

6 toneladas

As investigações apontam que, ao longo de um ano, a organização criminosa tentou exportar para os continentes africano e europeu ao menos 6,5 toneladas de cocaína. Segundo os investigadores, “as provas que estão sendo coletadas auxiliarão na identificação dos financiadores da atividade criminosa, dentre outros eventuais participantes”.

Os investigados devem responder pelos crimes de tráfico internacional e associação para o tráfico, com penas somadas de 8 a 25 anos de prisão, além do perdimento dos bens utilizados nas ações criminosas ou adquiridos com o proveito destas.