Sob protestos, estátua da Havan começa a ser erguida em loja de São Luís

Artistas, políticos e entidades se manifestam contra instalação

Após enfrentar uma série de protestos de parlamentares, artistas e entidades da sociedade civil, a estátua da nova loja da Havan em São Luís, no Maranhão, começou a ser erguida nesta quinta-feira (19/8).

A expectativa é que a loja seja inaugurada em 2 de setembro. Será a primeira loja na capital maranhense da rede de lojas de departamento capitaneada pelo empresário bolsonarista Luciano Hang.

Em suas redes sociais, o empresário celebrou a chegada da réplica da estátua da Liberdade em São Luís: “Para a alegria dos ludovicenses a Estátua da Liberdade já está em casa e pronta para ser erguida”, afirmou Hang.

A loja foi instalada na avenida Daniel de La Touche e fica a cerca de 12 km do Centro Histórico de São Luís. O centro histórico é tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e reconhecido como Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco desde 1997.

Opositores da instalação organizaram uma petição online para pressionar a Justiça para impedir a construção do monumento de 35 metros. Até a manhã desta sexta-feira (20), 5.420 pessoas haviam assinado o documento.

Em vídeo divulgado em julho nas redes sociais, a atriz maranhense Claudiana Coutrim fez uma leitura de um manifesto, que critica a distorção que o monumento faria na paisagem urbana.

“Alguém consegue imaginar uma estátua da Liberdade em Olinda, Ouro Preto ou Diamantina? Não dá. A exemplo de São Luís, são cidades tombadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Em qualquer um desses sítios urbanos, instituições como o Iphan reagiriam com rigor”, diz a atriz no vídeo.

O cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro também se posicionou contra a estátua. Ele destacou a importância do empreendimento na geração de empregos, mas disse que a loja não pode impor o seu padrão estético à cidade.

“Em um mundo razoável, nenhuma loja, marca ou empresa poderia chegar em uma cidade impor certos conceitos estéticos, e nesse caso bem duvidosos, especialmente quando se fala de São Luís, com uma identidade arquitetônica tão peculiar. Essa estátua da Havan enfeia a cidade”, afirmou.

A instalação da estátua também gerou discussões acaloradas entre políticos maranhenses. O senador Roberto Rocha (PSDB) foi um dos principais entusiastas da construção da loja e da estátua na capital maranhense.

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos) também comemorou o empreendimento. “São Luís é livre! E sempre vai receber com entusiasmo empresas e iniciativas que gerem emprego e renda para nossa gente”, disse Braide em julho nas suas redes sociais.

Secretário estadual de Cidades e Desenvolvimento Urbano, o deputado federal licenciado Márcio Jerry também entrou no debate, com críticas à estátua.

“Só um imbecil absoluto como esse tal de véio da Havan para querer instalar na histórica e bela São Luís uma réplica da estátua da Liberdade. A Ilha Rebelde não aceitará a estupidez cafona”, afirmou. O governador Flávio Dino (PSB) não se pronunciou sobre o assunto.

Outra réplica da estátua da Liberdade deve ser instalada na pequena cidade de Nova Iorque, interior do estado, com 4.600 habitantes. Nesse caso, no entanto, o monumento não acompanharia uma loja da Havan. Luciano Hang prometeu doar uma estátua a pedido do senador bolsonarista Roberto Rocha para compor uma obra urbanística.

As estátuas da rede de lojas já protagonizaram polêmicas em outras cidades do país. Em Brasília e em Ribeirão Preto (SP), as lojas da rede catarinense foram erguidas sem as estátuas por restrições urbanísticas.

No caso de Ribeirão Preto, a estátua violaria o regramento da lei Cidade Limpa, que proíbe equipamentos publicitários de grande porte. Em Brasília, o monumento ia de encontro com o plano diretor de publicidade para o plano Piloto e regiões administrativas.

Em dezembro de 2019, uma estátua de uma loja que fica na rodovia Washington Luiz, na altura do município de São Carlos (SP), pegou fogo.

Na época, Hang publicou um vídeo afirmando que se tratou de terrorismo e um ataque à democracia. Ele chegou a oferecer R$ 100 mil como recompensa para quem ajudasse a localizar o responsável.
A reportagem não conseguiu contato com a assessoria da Havan.

Por João Pedro Pitombo

 

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