Feminicídio: homem vai a júri popular por matar ex-companheira no Gama, no DF – Mais Brasília
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Feminicídio: homem vai a júri popular por matar ex-companheira no Gama, no DF

Ele responderá por homicídio quadruplamente qualificado: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, perigo comum e feminicídio

Foto: Reprodução/Pixabay

Wesly Denny da Silva Melo irá a júri por matar a ex-companheira, Tainara Kellen Mesquita da Silva. A decisão foi tomada na última sexta-feira (22). A primeira fase da instrução processual havia sido concluída dois meses após o crime, que ocorreu em 10 de janeiro.

Segundo a denúncia da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri do Gama, o motivo do crime foi torpe, em razão do sentimento de posse pela vítima e do inconformismo com o fim do relacionamento; o crime resultou em perigo comum, pois os disparos ocorreram em via pública, colocando várias pessoas em risco. Além disso, o réu usou recurso que dificultou a defesa da vítima, pois simulou tratar-se de cliente. O crime foi cometido na frente da filha da vítima, de apenas 6 anos.

O crime ocorreu no Setor Leste do Gama. Tainara estava no salão de beleza onde trabalhava quando recebeu mensagens de um número telefônico desconhecido. Wesly enviou as mensagens para se passar por uma cliente e agendar o atendimento. Depois, afirmou não conseguir encontrar o salão para que Tainara saísse do local. Quando ela estava fora do estabelecimento, foi surpreendida por Wesly, que efetuou diversos disparos contra a ex-companheira.

Operação

Em 8 de fevereiro, a Promotoria de Justiça e a Polícia Civil deflagraram operação para o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cinco endereços no Gama e em Santa Maria. O foco da operação era a localização de armas de fogo ilegais vinculadas a Wesly.

Segundo testemunhas, o réu é atirador e colecionador de armas de fogo. No período em que se encontrava foragido, foi realizada busca em sua residência, onde foi localizada uma arma de fogo sem registro e documentos relacionados a outras armas, inclusive um fuzil. Os itens não foram identificados nos sistemas dos órgãos responsáveis pelo registro de armas e o Ministério Público verificou a necessidade dessa busca e apreensão das peças em situação irregular.

Durante as buscas, o pai do acusado reagiu com disparos e houve troca de tiros com a polícia. O homem, de 58 anos, foi hospitalizado e faleceu. No carro dele foram encontrados uma arma e R$ 2 mil em espécie.