Mindfulness: potencialize a mente agora e esteja no controle

"Meditar é ter consciência de si mesmo e não se deixar enganar pelos pensamentos", diz Pedro Lôbo

André Soares, executivo da área de telecomunicações, cargo de chefia, 39 anos, casado, pai de uma menininha de 5 anos e meio e um bebê de 8 meses, paulistano radicado em Brasília há 14 anos precisava comparecer a uma reunião presencial às 15h, na última segunda-feira (30) e entregar um relatório sobre o entregar comparativo sobre o lucro da companhia nos últimos seis meses.

Antes, porém, logo pela manhã, às 10h30, tinha uma entrevista em um portal de notícias, que pelo visto, se alongaria. O horário do almoço já estava agendado: era para estar com a família, com a mulher dele, para a qual, há dias, não tinha tempo. Soares, nos últimos meses, não ordenou os dados para compor o relatório.

Com os compromissos emendados um ao outro, Soares começou a destratar as pessoas durante todo o dia. Conclusão? Minutos antes de entrar na sala de reunião, o executivo teve um surto, uma crise de pânico. Às 15h, da última segunda-feira, Soares estava era na urgência de um hospital e não se apresentando ao público como o executivo brilhante que ele é.

Mas, e se o executivo pudesse entender que estava tudo bem, que aquela reunião da segunda (30) era apenas mais uma das dezenas da carreira dele, e que, não estar tão bem preparado assim não iria afetar drasticamente o papel importante que ele desempenhara durante todos estes anos na Companhia? Soares, talvez, não teria surtado.

É neste exato momento que entra em ação o Mindfulness, definido nestes três últimos anos, por diversos profissionais da área, como é a consciência em si, o estado natural de todo ser humano. E a meditação é a prática pela qual o ser humano pode ter essa consciência de si mesmo, é o instrumento que leva a esta consciência. Um aliado ao outro faz com que as pessoas consigam controlar a própria mente e tenham consciência das ações presentes que realizam.

Do tratamento de doenças até treinamentos para atletas de alta performance ou para executivos de alto escalão, o método simples virou também um mantra do universo corporativo.  Com essência no Oriente, mas que ganha adeptos Ocidente, como a famosa apresentadora Oprah Winfrey, há quem diga que a prática ajuda até a emagrecer.

Quem explica a moderna técnica do Mindfulness é o psicólogo Pedro Lôbo. Com 23 anos de experiência em Mindfulness e  meditação, o profissional enxerga nas técnicas do Mindfulness um dos modelos ideais para que as pessoas aprendam a trazer a mente para o agora, para a realidade. E assim, resolver problemas práticos do dia a dia, tratar de angústias psicológicas como a depressão e a ansiedade, contribuir para o tratamento de consequências de patologias como a Covid-19 e as doenças crônicas.

“Como eu posso lidar com a perda? O que eu posso fazer agora? Isso é Mindfulness“.

E acrescenta:

Mindfulness é um método de meditação. Meditar é ter consciência de si mesmo e não se deixar enganar pelos pensamentos do passado ou do presente”.

E argumenta:

“Se eu não tenho consciência dos meus pensamentos e sentimentos, eu não estou no controle da minha vida, estou apenas reagindo”.

Meditador Urbano

Porém, conseguir mais resultados, Lôbo criou um método dentro do Mindfulness chamado Meditador Urbano, que consiste em ajudar qualquer pessoa a meditar, em qualquer local, num ambiente  de caos, de barulho, por exemplo, e em poucos minutos por dia.

“Esqueça incenso, esqueça vegetarianismo (pode ser caso queira, eu sou), esqueça esvaziar totalmente a cabeça, porque isso é impossível”.

Para o psicólogo, a chave para os seres humanos iniciarem a solução de todos os problemas é o conhecimento de si mesmos. O profissional ainda pontua que não basta tratar consequências dos problemas.

“Se eu estou ansioso é porque existe uma emoção ali. A ansiedade te dá pistas que alguma coisa não está alinhada”.

E continua:

“As pessoas pedem um remédio para curar a ansiedade. É errado, porque a ansiedade é apenas a ponta de um iceberg”.

Se o Soares, da narração acima, conhecesse o Mindfulness ou Meditador Urbano, talvez ele não teria tido um ataque de pânico. Soares é um personagem fictício. Mas ataques de pânico ou descontroles emocionais ao longo do dia a dia são reais. Estima-se que, apenas no Brasil, de quatro a seis milhões de pessoas foram o chamado transtorno pânico. Em 2020, com a pandemia, conforme dados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 80% da população brasileira se tornou ansiosa.

Quanto aos descontroles emocionais, todos têm e diversas vezes ao dia e nos mais variados graus. Em elevados graus, geram até assassinados. Em doses menores, aquelas briguinhas chatas e indisposições diárias. Se porém, as pessoas pudesse administrar esses dissabores? O psicólogo Pedro Lôbo, criador do Meditador Urbano diz ser possível. Porque, para o profissional, a mente humana é apenas mais um dos sentidos e está a ‘pregar peças’ nas pessoas o tempo todo.

“A mente cria cenários que não são reais São verdades parciais. Nós é que as transformamos em verdades absolutas. A mente é reativa, imediatista. E a nossa mente também tem uma questão crítica, de criticar o tempo todo, a nós e aos outros”.

E argumenta:

“Porque as nossas reações são auto-defesas. E não dá para controlar esses pensamentos reativos, mas dá para compreendê-los. Dá para ter a consciência deles. Nós, seres humanos, somos um todo, somos essa consciência. E meditar é isso, ter consciência do que se passa na mente”.

Não existe fórmula pronta 

Pedro Lôbo explica que não existe uma fórmula pronta para o sucesso e a felicidade. E que um dos males dessa época é que a humanidade vincula felicidade a algo a ser conquistado, palpável, onde as pessoas vivem num automático e com uma fórmula pré-estabelecida de que é preciso se formar, casar, ter filhos, ganhar dinheiro para depois serem felizes. Muitas, quando não conseguem, chegam às portas dos consultórios de psicologia e psiquiatria aos frangalhos, aos prantos.

Mostrar às pessoas que não existe este modelo falho de felicidade e que saúde e bem estar podem ser conseguidos por qualquer pessoa  está entre as prioridades dos métodos de meditação como o Meditador Urbano, criado pelo psicólogo. Isto porque Lôbo parte de uma linha da Psicologia e do Mindfulness que define a felicidade também como as ‘pequenas conquistas diárias’.

“É preciso humanizar as coisas ao invés de ficar com um chicote. Vamos aprender a acolher, a balancear, a ter um olhar de empatia, conosco e com o próprio”.

Encontros semanais para mudança de hábitos

O método Meditador Urbano criado pelo profissional é, principalmente, para aqueles que vivem nos grandes centros e estão buscando por mais sentido para as próprias vidas. Nos encontros semanais, em grupos, os participantes aprendem a tomar consciência das próprias ações e das consequências delas, a se tornarem menos reativos e mais tranquilos para a tomada de decisões, a buscarem por práticas diárias mais empáticas.

“É um tomar de consciência. Aprender a dominar a mente e estar no controle. E não apenas ser controlado pela nossa mente, como acontece com a maioria das pessoas o tempo todo”.

Criador do Instituto Mindfulness e do Meditador Urbano (www.meditadorurbano.com.br), o psicólogo esclarece o quanto é importante estar presente.

“Meditar é o caminho para recomeçar. Fechar os olhos, meditar e se ouvir, se reencontrar. É você estar consigo mesmo, assumir o controle da própria vida”.

 

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