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Nilópolis identifica uso de vacinas vencidas e aplica novas doses na população

Antes da publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, ao menos duas cidades já haviam identificado a irregularidade e tomado providências

Foto: Ascom Nilópolis

A cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, identificou o uso de 210 doses vencidas da vacina Astrazeneca e até o fim da manhã desta segunda-feira (5) havia revacinado 25 pessoas.

Na sexta (2), o município começou a levantar o real número de aplicações de vacinas vencidas na população, após reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrar que registros do Ministério da Saúde indicavam que 26 mil doses haviam sido utilizadas depois do vencimento. O uso de imunizantes fora da data de validade compromete sua proteção contra o coronavírus.

A prefeitura de Nilópolis disse, em nota, que vem ligando para todos os casos suspeitos e conferindo o cartão de vacinação.

Segundo a assessoria de imprensa do município, qualquer pessoa que identificar que tomou uma dose vencida pode procurar o posto para ser vacinada novamente. Basta levar o cartão de vacinação, que será conferido com o número do lote da Astrazeneca que está com a data de validade vencida.

Esse grupo está sendo revacinado no salão da Igreja do Nazareno, quase em frente ao posto central do município. O espaço estava sendo utilizado apenas para aplicar a segunda dose da Coronavac, mas agora também atende moradores que receberam doses vencidas.

Antes da publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, ao menos duas cidades já haviam identificado a irregularidade e tomado providências.

Foi o caso do município de Dracena, no interior de São Paulo, que informou que 80 pessoas foram vacinadas nos dias 14 e 15 de abril com doses fora do prazo de validade. À época, a prefeitura revacinou as pessoas com o mesmo imunizante.

No interior da Paraíba, a cidade de Alagoa Grande também admitiu ter aplicado 72 doses da vacina AstraZeneca fora do prazo de validade. O caso ocorreu em maio e a revacinação começou há uma semana, após orientação do Ministério da Saúde.

Outras prefeituras, no entanto, negaram terem aplicado doses vencidas contra a Covid-19, argumentando erro de registro no sistema. É o caso de Maringá, a campeã no uso de vacinas vencidas segundo os registros oficiais. O secretário de Saúde da cidade, Marcelo Puzzi, afirmou que houve um erro no lançamento do Sistema Conect SUS, que estaria diferente do dia da aplicação das doses.

“Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento”, afirmou em nota.

Em nota publicada em rede social, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro afirmou que, após verificar os dados de todos os 756 casos de vacinação com suspeita de aplicação de doses fora da validade, constatou que nenhuma de suas unidades aplicou doses vencidas.

Integrantes do Observatório Covid-19 BR publicaram um artigo na Folha de S.Paulo defendendo que a reportagem que apontou as irregularidades “induz a equívocos” porque parte de uma base de dados que possui inconsistências há muito tempo sabidas.

“Não há elementos sólidos para afirmar que brasileiros tomaram vacina vencida contra Covid. Assim como a equipe de reportagem, membros do Observatório Covid-19 BR verificaram essas informações, fazendo uma amostragem na base de dados.

Na amostra analisada, o que foi encontrado sugere fortemente que se trata de erros de digitação nas bases de dados ou erros a partir da alimentação dos dados no sistema nacional (SI-PNI) a partir de sistemas próprios dos estados e municípios”, diz o texto.