Tribunal afasta policial penal do DF suspeito de ajudar a forjar acidentes para receber seguros

A polícia detectou 12 acidentes forjados no Distrito Federal, ocorridos entre 2015 e 2022, com a destruição de 25 veículos

Na manhã desta sexta-feira (16),  o Juiz da Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Brazlândia afastou provisoriamente da função pública um policial penal do Distrito Federal suspeito de fornecer dados pessoais de um policial civil do Distrito Federal para líderes de uma organização criminosa. O afastamento ocorreu após solicitação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e é válido por 90 dias. Nesse período, o policial penal não pode acessar as dependências e sistemas do sistema prisional do Distrito Federal.

Os criminosos destruíam veículos para receber as indenizações dos seguros. Para isso, a quadrilha forjava acidentes. A polícia detectou 12 acidentes forjados no Distrito Federal, ocorridos entre 2015 e 2022, com a destruição de 25 veículos. Um dos acidentes simulados ocorreu em Brazlândia. A organização criminosa foi desarticulada em 18 de setembro de 2023, na chamada Operação Coiote, da PCDF. Entre os integrantes da organização criminosa havia um policial militar licenciado, um policial militar da ativa e uma advogada.

De acordo com a PCDF, esse policial penal também é suspeito de tentar beneficiar um dos líderes da organização criminosa, flexibilizando o cumprimento da sua prisão preventiva.

Também na manhã desta sexta (16) foi cumprido mandado de busca na casa do policial penal afastado, localizada no Jardins Mangueiral, em Brasília. A Polícia Penal do DF também participou da diligência. Por determinação judicial, a PCDF recolheu as armas de fogo, carteira funcional e distintivo do policial penal.

AS INVESTIGAÇÕES
Segundo as investigações, o policial penal afastado é amigo de um dos líderes da organização criminosa e, em outubro de 2023, acessou dados pessoais do policial civil responsável pelas investigações e repassou-os ao grupo
criminoso. Munida das informações, a organização criminosa mandou um sujeito até a casa do policial civil para intimidá-lo.

Também apurou-se que o policial penal tentou classificar o líder da organização criminosa para o trabalho interno no Centro de Detenção Provisória II – CDP II antes do prazo de quarentena estabelecido. A Seape detectou o favorecimento e impediu a classificação. À época, o policial penal afastado era Diretor-Adjunto do CDP II, onde os líderes da organização criminosa cumprem pena.

A EXONERAÇÃO
O policial penal afastado foi exonerado da função de Diretor-Adjunto do CDP II no último dia 6 de fevereiro, tão logo a Seape foi comunicada da apuração da 18ª Delegacia de Polícia – Brazlândia.

As investigações do caso ficaram a cargo da 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia), que contou com o apoio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária – Seape.

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