Da redação
Do Mais Brasília

Filme “Cartas de Brasília” compete em Festival Internacional de Documentários

O curta é dirigido pela brasiliense Larissa Leite Alcântara e irá representar a potência de documentários realizados na capital do Brasil.

Diretora Larissa Leite (Foto: Humberto Araújo)

“Cartas de Brasília” é um filme brasiliense que fará sua estreia mundial na 26º edição do Festival Internacional de Documentário ‘É Tudo Verdade’. Um dos eventos mais importantes dedicado à produção de obras não ficcionais, ele vai acontecer este ano durante os dias 8 e 18 de abril.

Devido à pandemia, o Festival será realizado em plataformas digitais e as obras serão disponibilizadas de forma totalmente gratuita online, com acesso da programação em todo o território nacional. O modelo segue o de outros Festivais ao redor do mundo como Festival de Veneza e o Festival de Sundance.

O curta é dirigido pela brasiliense Larissa Leite Alcântara e irá representar a potência de documentários realizados na capital do Brasil.

A produção integra, ao lado de oito filmes nacionais, a Competição Brasileira de Curta-Metragem. Os nove selecionados da mostra competitiva abordam temas diversos, mas todos estão entrelaçados pela investigação em torno da memória. A diretora celebra a estreia no festival que, coincidentemente, ocorre no mesmo mês do aniversário da capital Brasília.

“A nossa produção foi finalizada em 2020 e já planejávamos estrear no próximo aniversário de Brasília. É uma honra levar uma visão poética da história da cidade para ainda mais longe”, afirma a diretora sobre o fato de estar estar estreando seu filme e poder comemorar o aniversário da capital que em 21 de abril, completa 61 anos.

Com classificação livre, “Cartas de Brasília” acompanha os passos do migrante Eliézer Alcântara Lima, pai da cineasta, em um roteiro de puro afeto para com a cidade. Com os 11 irmãos, o maranhense deixou o interior do estado natal para desbravar a nova capital. A jornada começou em 1968, quando a família Alcântara decidiu buscar novas oportunidades na cidade que então crescia e era vendida como o futuro do Brasil. Até que todos se estabilizasse na cidade, 20 anos se passaram. E ao longo desse período, centenas de cartas foram trocadas. Além de dar notícias, as cartas foram determinantes no incentivo mútuo para a mudança de cidade – e de vida. Eliézer foi o sexto irmão a nascer e o terceiro a se mudar para Brasília.

Após ter contato com os registros, a documentarista se motivou a investigar a história familiar em uma produção cinematográfica. “Eu lia as cartas e enxergava claramente a possibilidade do roteiro. Queria documentar a trajetória impressa ali, em papeis já desgastados pelo tempo, em movimento; em passos que voltariam ao passado e, quem sabe, trariam novos significados ao presente, à essa história particular que, ao mesmo tempo, é de tantas famílias brasileiras que apostaram em Brasília”, afirma Larissa Leite.

E para oferecer a sua versão da história, a cineasta que, aliás, realiza a sua estreia como diretora aqui, fez uma clara opção pela subjetividade. Além de revelar trechos de cartas e depoimentos de Eliézer, o curta é narrado pela própria diretora, que mergulha na memória coletiva e traz à tona suas próprias impressões. O filme ainda conta, no elenco, com todos os irmãos do protagonista.

Uma história íntima, pessoal e de muito afeto realizado com dedicação, carinho e muitas lágrimas nos olhos. Este é “Cartas de Brasília”.