Do Mais Brasília

Memorial Indígena reabre com exposição inédita de 300 peças, em Brasília

Espaço traz uma fração do lote de 8 mil artefatos apreendidos pela Polícia Federal (PF), nesta quarta (24/11)

Foto: Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

O Memorial dos Povos Indígenas (MPI) reabre, nesta quarta-feira (24/11), com a exposição “Mais de 12 mil Anos Nesta Terra”, que reúne 300 peças de 15 nações dos povos originários. A mostra traz uma fração do lote de 8 mil artefatos apreendidos pela Polícia Federal (PF), no combate ao contrabando de objetos indígena.

O público encontrará ainda o museu reformado. Durante a pandemia de Covid-19, o local recebeu investimento superior a R$ 500 mil, com troca de piso, pintura, limpeza e aprimoramentos na sinalização e no sistema de combate a incêndio.

“Trata-se de mais uma ação de manutenção do patrimônio durante o período em que o MPI esteve fechado pelo isolamento social. E o público terá acesso a um acervo enriquecido recentemente com artefatos indígenas de incalculável valor”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), Bartolomeu Rodrigues.

Maior instituição

Com essa doação da PF, o museu brasiliense torna-se a segunda maior instituição na salvaguarda da memória dos primeiros habitantes. “O MPI cresceu muito como museu”, declarou o gerente David Terena. Indígena, ele lembra que a instituição é um centro de informação, estudo e pesquisa sobre as culturas dos povos originários.

O equipamento, afirma ele, “tem papel fundamental como local onde os índios podem se encontrar para o diálogo e a construção da memória. Não é apenas um lugar de registro do passado, não é estático, mas vivo, se movimenta a cada dia”. David festeja o aumento do acervo e a modernização do espaço: “Estamos muito felizes”.

Seção tátil

Com título inspirado na presença dos povos originais muito antes da chegada dos europeus às Américas, a exposição tem cinco seções – plumária, de cerâmicas, cestaria e de máscaras – sendo a quinta uma novidade, um setor de exibição tátil, em que os visitantes poderão manusear os objetos.

“Estamos adorando montar a seção tátil. Nessa parte, tudo que estiver exposto ficará disponível para ser tocado. O visitante com deficiência vai ter essa vivência especial”, comemora Aline Ferrari, gerente de acervo da Subsecretaria de Patrimônio Cultural (Supac).

“Trata-se de um avanço em acessibilidade”, destaca Felipe Ramón, coordenador das diretorias da Supac, que assina a curadoria com Aline Ferrari e o historiador Gustavo Menezes.

O gestor informa ainda que farão parte da exposição fotos de um dos grandes pioneiros da pesquisa etnográfica na Amazônia, o filólogo, etnólogo e antropólogo alemão Theodor Koch-Grunberg (1872-1924), que contribuiu no estudo de povos indígenas da América do Sul entre o final do século 19 e início do 20.

Visitantes encontrarão registros doados pela embaixada da Alemanha que fizeram parte de uma exposição sobre a expedição científica de que participou Koch-Grunberg na região do Alto Rio Negro, entre 1903 e 1905. Dessa viagem, o pesquisador levou para o país europeu mais de mil registros fotográficos e quase 1.300 objetos etnográficos.

Serviço

Data: a partir desta quarta-feira (24/11)
Local: Eixo Monumental Oeste, Praça do Buriti, em frente ao Memorial JK
Horário de visitação: sexta-feira a domingo, das 9h às 17h