FolhaPress

Alta de juros deve prejudicar fôlego de empresas para pagar dívidas, diz Serasa

Cerca de 5,8 milhões de empresas estão inadimplentes

Bolsonaro sanciona lei que protege consumidores de superendividamento
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Serasa Experian registrou o início de uma recuperação no fôlego das empresas para colocar as contas em dia depois do período mais turbulento da pandemia. Até julho, mais de 49% das dívidas foram pagas em até 60 dias após a negativação, ante 46% no mesmo período de 2020.

O setor de utilities, que reúne serviços como água, gás e energia, saiu na frente com um índice de 60,5% de valores recuperados. Depois, aparecem bancos e cartões (50,6%) e varejo (50%), segundo a Serasa. Hoje, cerca de 5,8 milhões de empresas estão inadimplentes, número que tem se mantido estável.

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o respiro está relacionado à reabertura da economia e aos recursos destinados a micro e pequenas empresas, como o Pronampe. O movimento de fim de ano, com 13º salário, vendas de Natal e contratações temporárias, também devem colaborar.

No entanto, na avaliação de Rabi, será difícil manter o ritmo de recuperação, principalmente a partir do ano que vem, por causa do cenário econômico deteriorado e da alta nos juros.
“A taxa de juros é um componente importante, tanto da inadimplência quanto da performance da empresa para conseguir honrar ou renegociar uma dívida que está atrasada”, diz.

Segundo o economista, os setores que dependem do crédito para vender seus produtos, como automotivo e imobiliário, devem ter mais dificuldade para pagar suas dívidas. Já aqueles ligados à exportação e ao consumo de itens básicos, como supermercados, devem ser menos prejudicados.

Por Joana Cunha