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Inflação deve ter alcançado pico em setembro, diz JP Morgan

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 10,25%

Mãos de mulher contando dinheiro. Notas de vinte e de dez reais
Foto: Tiago Queiroz

A inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) provavelmente alcançou o pico deste ano em setembro. É o que sinaliza o banco JP Morgan em relatório divulgado nesta segunda-feira (11/10).

Em setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 10,25%. É a maior variação desde fevereiro de 2016 (10,36%), conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Já a taxa mensal do IPCA foi de 1,16%, a mais elevada para setembro desde 1994. A variação, apesar de robusta, veio em nível inferior à esperada pelo mercado financeiro (1,25%).

Na visão do JP Morgan, o resultado de setembro dificilmente pode ser caracterizado como animador, já que é o maior desde o começo do Plano Real. O dado, contudo, ficou em um nível “muito mais baixo do que o esperado”, apontou o banco.

“Achamos que setembro marcou o pico da inflação anual neste ciclo”, afirma o relatório. O JP Morgan projeta uma desaceleração do IPCA para 8,4% no acumulado deste ano.

Nesta segunda-feira, a projeção do mercado financeiro para a inflação em 2021 subiu pela 27ª vez seguida, alcançando 8,59%. A estimativa aparece na versão mais recente do boletim Focus, produzido pelo BC (Banco Central).

Em parte, analistas associam a possível perda de fôlego do IPCA a um efeito estatístico, já que houve um repique nos preços de alimentos na reta final do ano passado. A inflação acima de 8%, contudo, permanece como motivo de preocupação entre economistas, consumidores e empresários.

O relatório do JP Morgan lembra que, além da escalada dos preços, o país registra sinais de perda de fôlego da atividade econômica. O banco chama atenção para o desempenho de dois indicadores: produção industrial e vendas do varejo.

Segundo o IBGE, a produção das fábricas recuou 0,7% em agosto. Enquanto isso, o varejo caiu 3,1%, a maior retração para o oitavo mês do calendário desde o início da série histórica do instituto, em 2000.

Segundo o JP Morgan, os dois indicadores “decepcionaram” em agosto. Para a instituição, os resultados “vieram com uma surpresa negativa modesta na produção industrial e uma grande decepção nas vendas no varejo”.

Devido à pressão inflacionária, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) passou a subir a taxa básica de juros, a Selic. Os juros maiores, em um ambiente de desemprego acentuado e renda fragilizada, desafiam o consumo das famílias e os investimentos das empresas.

A exemplo do JP Morgan, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, projetou no último dia 4 que a inflação atingiria seu pico em setembro pelo IPCA.

“Setembro deve ser o pico da inflação em 12 meses. A gente entende que existe um elemento de persistência maior e, por isso, estamos sendo mais incisivos nos juros”, disse na ocasião.

Campos Neto voltou a falar sobre o tema na sexta-feira (8), quando a Petrobras anunciou reajuste de 7,2% nos preços da gasolina e do gás de cozinha nas refinarias.

Na visão do presidente do BC, a alta no preço do gás deve se refletir em deteriorações adicionais nas expectativas de inflação do mercado.

“O Brasil teve um grande salto [nas expectativas de inflação] quando olhamos para 2021, e isso provavelmente ficará pior com o anúncio de aumento no gás hoje [sexta-feira]”, observou Campos Neto, durante evento online promovido pelo Itaú BBA.

Por Leonardo Vieceli