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Juros futuros caem diante do risco de desaceleração global com nova variante da Covid

A nova estimativa deve ser publicada no próximo relatório trimestral de inflação em 16 de dezembro

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em uma sessão de maior aversão ao risco, provocada pelo avanço de uma nova cepa do coronavírus, com forte queda das ações na Bolsa de Valores, o mercado de juros futuros também recua nesta sexta-feira (26).
Por volta das 13h, o contrato de juros futuros com vencimento para 2023 recuava de 12,09% na véspera para 11,87%, enquanto os papéis para 2027 cediam de 11,81% para 11,74%, de acordo com dados da Bloomberg.

Segundo Paulo Nepomuceno, estrategista de renda fixa da Terra Investimentos, a queda se deve à expectativa do mercado de que um novo repique da Covid-19 afete negativamente o ritmo de recuperação da atividade econômica.
Esse novo cenário poderia, inclusive, tirar a pressão sobre o BC (Banco Central) no Brasil, pois abriria espaço para que a alta da Selic, a taxa básica de juros do país, ocorresse em ritmo mais lento do que o adotado atualmente.

“Um crescimento menor demanda um ritmo mais lento de aperto da política monetária por parte dos bancos centrais”, afirma Nepomuceno. “Já temos visto que na Europa a contaminação voltou a aumentar bastante.”
Pouco se sabe ainda sobre a nova variante, detectada na África do Sul, em Botswana e em Hong Kong, mas cientistas dizem que ela tem uma combinação atípica de mutações, que pode ser capaz de evitar respostas imunológicas e que seria mais transmissível.

O mercado acionário europeu já estava sob estresse nesta semana uma vez que o ressurgimento de casos de Covid-19 levou a novas restrições em vários países da região.

“Por conta do risco de desaceleração da economia trazido pela nova variante do coronavírus, o mercado também está devolvendo parte de uma alta antecipada dos juros nos Estados Unidos, o que acaba contribuindo para a queda dos juros futuros no mercado local”, afirma Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos.

Nepomuceno, da Terra, acrescenta que também contribui para o fechamento de taxas sinalizações transmitidas junto ao mercado pelo presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, de que a autoridade monetária estaria considerando os prêmios da curva excessivamente esticados.
Campos Neto afirmou nesta semana que, embora a média do desempenho da atividade econômica entre 2020 e 2022 deva ser melhor que o previsto, o crescimento estrutural do Brasil começa a preocupar.

“Quando você olha o combinado 2020, 2021 e 2022, a média é melhor [que o previsto], mas começa a preocupar sobre qual é o crescimento estrutural no Brasil e como podemos melhorar isso”, afirmou em evento do Bank of America na quarta-feira (24).

O titular do BC reafirmou que a autarquia deve revisar para baixo sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano, hoje em 2,1%. A nova estimativa deve ser publicada no próximo relatório trimestral de inflação, em 16 de dezembro.

Nas últimas semanas, analistas e instituições financeiras revisaram para baixo as expectativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022. Segundo o boletim Focus desta semana, em que o Banco Central divulga projeções do mercado, economistas esperam crescimento de 0,70%. Há uma semana, a projeção era 0,93%, e há quatro semanas, 1,40%.

Por Lucas Bombana