Fernanda Nobre e Marcelo Serrado falam com Bial sobre monogamia e amor livre

Relacionamento aberto foi o tema do programa desta quinta-feira (19/8)

A origem machista do conceito de monogamia inspirou a atriz Fernanda Nobre, 37, a rever o seu relacionamento com o marido, o diretor José Roberto Jardim, em um momento em que os dois viviam o auge da paixão. Hoje eles têm um casamento aberto, baseado em muito diálogo e em que não existe a palavra traição.

A atriz falou sobre a experiência no Conversa com Bial (Globo), na madrugada desta quinta-feira (19/8). O ator Marcelo Serrado, 54, um dos protagonistas do filme “Dois + Dois”, também participou do programa e debateu o mesmo tema.

Ao estudar a história da mulher na sociedade, Fernanda aprendeu que a monogamia foi criada para proteger a propriedade privada e, segundo ela, “não tem nada de natural”.

De acordo com a análise feita pela atriz, os homens sempre tiveram “permissão” para não cumprir os pactos monogâmicos, ao contrário do que acontece com as mulheres.

Em um passado recente, muitas mulheres perdiam os seus direitos e eram renegadas pelas famílias ao não serem monogâmicas. Além disso, a violência contra a mulher ainda é uma realidade.

“Percebi que repetia um padrão”, disse Fernanda ao contar sobre a decisão de abandonar a monogamia e manter um relacionamento aberto.

A decisão, no entanto, enfrenta percalços. A atriz ainda lida com o fato de ser ciumenta sem querer ser. “Estou no exercício, mas ainda não encontrei a fórmula”, disse. Para ela, o ideal é ser livre, assim como o seu parceiro.

No caso de Serrado, a decisão é de não viver relações em que exista o ciúme corrosivo, exagerado. Ele contou já ter passado por situações em que o ciúme predominava.

No filme “Dois + Dois”, um dos casais não se adapta ao amor livre. “A gente precisa respeitar a opinião dos outros”, afirma Serrado sobre as diversas possibilidades de relacionamentos.

Ele acredita que o amor romântico, do tipo Romeu e Julieta, nunca vai sair de cena. Na entrevista, o ator lembrou dos adolescentes com seus amores passionais “para o resto da vida”.

Já Fernanda admite ser romântica, mas vê isso como uma forma de controle feminino. “O amor romântico, criado pelo patriarcado há 5.000 anos, faz com que a gente ainda espere o amado que vai salvar nossa vida”, opinou.

Em contraponto, Serrado citou o caso dos próprios pais, que assistem TV de mãos dadas após mais de 60 anos de casamento. “São felizes assim”.

Em um momento descontraído, Serrado contou a história de um amigo que faz apresentações musicais em uma casa de swing e foi convidado por um casal para “interagir” após o show.

No entanto, o marido teve uma crise de choro durante a “interação” e o amigo músico do ator parou tudo para consolar o homem arrependido. “Todo mundo pode mudar de ideia a qualquer momento”, comentou o jornalista Pedro Bial.

Bial terminou a entrevista cantando “A Maçã”, em que Raul Seixas define o ciúme como vaidade. “Sofro, mas eu vou te libertar”, cantou o roqueiro em um de seus clássicos.

Por Cristina Camargo

 

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