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Filha de 3 anos interrompe Jacinda durante live sobre Covid na Nova Zelândia

Primeira-ministra falava sobre as restrições para contenção da pandemia quando Neve pediu atenção

Foto: Reprodução

As interrupções a transmissões ao vivo da primeira-ministra da Nova Zelândia ganharam um novo episódio nesta semana. Jacinda Ardern fazia um pronunciamento por meio do Facebook sobre as mudanças nas restrições impostas para conter a Covid-19 no país, quando foi interrompida.

Dessa vez, não foi um terremoto, como o de magnitude 5.8 que atrapalhou uma entrevista de Jacinda em maio de 2020 ou o de magnitude 5.9 que novamente a interrompeu no mês passado.

“Mamãe?”, ouve-se no vídeo. Era Neve, 3, filha da primeira-ministra.

“Você deveria estar na cama, querida”, disse Jacinda, 41, no meio da transmissão. “Está na hora de dormir, querida. Vai para a cama, eu vou te ver já já”, acrescentou, pedindo desculpas aos seguidores.

“Bom, a hora de dormir não funcionou. Achei que seria uma boa hora para fazer uma live no Facebook, que seria bom e seguro” disse a primeira-ministra, em tom de brincadeira. “Os filhos de mais alguém levantam três, quatro vezes, depois da hora de dormir? Felizmente, minha mãe está aqui para ajudar.”

“Bem, onde estávamos?”, perguntou Jacinda, prestes a retomar sua mensagem, quando a voz de Neve novamente interrompe a mãe. “Por que está demorando tanto?”, questiona a criança.

“Desculpa, meu amor, está demorando. Bem, peço desculpas a todos. Vou colocar Neve na cama, porque é tarde para ela. Obrigada por me acompanharem”, conclui a primeira-ministra.

Esta não é a primeira vez que Neve atrai a atenção. Em 2018, seu nascimento tornou Jacinda a segunda líder mundial a dar à luz durante o mandato –a pioneira foi a paquistanesa Benazir Bhutto, em 1990.

A neozelandesa também fez história ao levar sua filha à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, no ano passado. Enquanto a mãe discursava, Neve, de três meses, ficou no colo do pai, o apresentador Clarke Gayford. Na ocasião, a criança chegou a ganhar um crachá oficial de participante da evento.

Reabertura na maior cidade do país

Nesta quarta-feira (9/11), lojas e shoppings de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia, tiveram permissão para abrir pela primeira vez em três meses. Os estabelecimentos ficaram lotados, e os compradores mais ansiosos começaram a fazer filas ainda antes da abertura.

Bibliotecas, museus e zoológicos também foram autorizados a abrir, mas o setor hoteleiro deve permanecer fechado. Em sua primeira visita a Auckland desde agosto, Jacinda disse que a luz no fim do túnel para os hotéis é a meta de vacinação. “Veremos reaberturas em um futuro muito próximo, quando Auckland começar a atingir esses alvos”, disse.

A primeira-ministra também anunciou que a cidade vai mudar de estratégia no combate à Covid-19. Em vez de decretar novos lockdowns, Auckland adotará um sistema de “semáforo”, em que cada região recebe uma cor de acordo com a incidência de novos casos da doença.

A mudança só entrará em vigor, no entanto, quando ao menos 90% dos moradores estiverem totalmente vacinados. Atualmente, 84% da população de Auckland está com o esquema vacinal completo.

Apesar do sucesso da Nova Zelândia em lidar com a pandemia –o que muitos analistas atribuíram ao modelo de liderança de Jacinda, focado na comunicação e na empatia– o país têm lutado contra surtos da variante delta, mais contagiosa.

Nesta terça-feira (9/11), cerca de 3 mil pessoas contrárias às restrições se reuniram em frente ao Beehive, o prédio do Parlamento neozelandês, em Wellington, para protestar. Muitos dos manifestantes carregavam cartazes pedindo “liberdade”, e alguns exibiam imagens do ex-presidente dos EUA Donald Trump.

Desde o início da pandemia, a Nova Zelândia registrou 7.776 casos e 32 mortes por Covid-19. Apesar de ter recebido críticas pelo início tardio da campanha de imunização, o país aplicou ao menos a primeira dose em 77% da população, e o esquema vacinal está completo em 65% dos neozelandeses, de acordo com dados do portal Our World in Data.