Palestinos temem fugir e ser bombardeados nas estradas após ultimato de Israel

Por outro, temem ficar e ser vítimas do ataque massivo que Israel anuncia que fará no norte

Dezenas de milhares de civis que vivem em Gaza se veem em meio a uma encruzilhada neste sábado (14): por um lado, temem deixar suas casas em direção ao sul do território e serem atingidos por ataques áreas em vias, teoricamente, seguras. Por outro, temem ficar e ser vítimas do ataque massivo que Israel anuncia que fará no norte.

O receio cresce à medida que nem sequer as duas vias propostas por Tel Aviv como caminhos para o sul, as rodovias Salah Al-Din e Salah Al-Bahr, mencionadas mais cedo por um porta-voz da Defesa israelense, parecem realmente livres de ataques do país vizinho.

O Ministério da Saúde palestino afirmou que 70 pessoas morreram nesta sexta (13) quando cruzavam a via de Al-Din e o comboio de veículos foi atingido por um ataque com bomba. As imagens foram verificadas pela rede britânica BBC, que confirmou o lugar do ataque na rodovia.

Acabou às 10h deste sábado, 16h em Israel, o prazo para que palestinos que vivem no norte de Gaza se desloquem para o sul.

A ONU calcula que ao menos metade da população de Gaza -cerca de 1 milhão de pessoas- foi forçada a se deslocar em uma semana de conflito. Martin Griffths, chefe do braço de ajuda humanitária da organização, disse que a situação, já crítica, torna-se insustentável.

Autoridades do maior hospital da região, localizado na cidade homônima de Gaza, a mais populosa, ao norte, dizem que é impossível seguir o ultimato das Forças de Defesa de Israel e esvaziar a região.

O hospital Al-Shifa recebe centenas de feridos a cada hora e já esgotou 95% de seus suprimentos, segundo o diretor Mohammed Abu Selmia. “A situação dentro do hospital é miserável em todos os sentidos da palavra”, disse ao Times os Israel. “As salas de cirurgia não param.”

Segundo autoridades locais, há 358 hospitalizados em Gaza. O conflito já deixou ao menos 2.200 mortos na região. Já do lado israelense, os últimos dados apontam para ao menos 1.300 mortos.

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