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Bolsonaro diz que Barroso foi ‘do nada’ debater voto impresso, mas convite partiu da Câmara

Barroso procurou demonstrar aos parlamentares que o voto eletrônico é seguro

Jair Bolsonaro
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

MÔNICA BERGAMO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Os novos ataques do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, afirmando que “do nada” ele foi para dentro do Congresso se reunir com líderes partidários e tentar derrotar o voto impresso, esbarram em um fato: foram os próprios deputados federais da comissão especial que debate o assunto que convidaram Barroso para uma audiência na Câmara dos Deputados.
O convite foi feito também pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

A vontade de parlamentares, inclusive bolsonaristas, debater com Barroso era tanta que a deputada Bia Kicis (PSL-DF) chegou a postar um vídeo nas redes sociais, em maio, convidando o magistrado para uma live.

Na comissão, Barroso procurou demonstrar aos parlamentares que o sistema de voto eletrônico é seguro, transparente e auditável, antes, durante e após as eleições. Expôs, ainda, que o voto impresso, além do custo, seria uma ameaça ao sigilo e ofereceria grave risco de fraude e de judicialização das eleições.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, as urnas eletrônicas foram criadas com a participação dos militares brasileiros.
A história já foi narrada pelo ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso e está registrada nos arquivos da corte.

Segundo ele, um grupo técnico foi formado na década de 1990 para desenvolver a urna. Ele era integrado por três engenheiros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um do Exército, um da Aeronáutica, um da Marinha e um do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD).

“A comissão técnica começou do zero, foi trabalhando e construindo e fez o protótipo da urna. Quando a comissão trabalhava, fui visitado por representantes de empresas estrangeiras oferecendo urnas para nós. Eu dizia: não, vamos fazer uma urna tupiniquim, simples e barata. E assim conseguimos”, relembrou Velloso.