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Bolsonaro diz que é comum Exército não aplicar punições

Declaração foi feita em sua live semanal nesta quinta-feira (3/6); Sem citar Pazuello, o presidente falou sobre punições aplicadas pelas Forças Armadas

Horas depois de o Exército arquivar o processo para investigar o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por ele ter participado de um ato político ao seu lado, o presidente Jair Bolsonaro minimizou a decisão e afirmou que é comum a instituição não aplicar punições.

Em sua live semanal nesta quinta-feira (3/6), Bolsonaro, sem citar Pazuello, falou genericamente sobre punições aplicadas pelas Forças Armadas. A transmissão contou com a participação do ministro Milton Ribeiro (Educação).

“A punição existe nas Forças Armadas. Ninguém interfere, a decisão é do chefe imediato dele [do soldado] ou do comandante da unidade. E a disciplina só existe porque realmente nosso código disciplinar é bastante rígido”, afirmou.

Apesar da declaração, Bolsonaro atuou nos bastidores para evitar uma punição ao general.

Na live, o presidente citou uma desavença que teve com um soldado quando era tenente e a recomendação recebida de um subcomandante para que se colocasse no lugar de quem estava sendo punido, “para ver se procede o que você escreveu com essa rigidez toda”. Ele disse ter voltado à tarde e desistido de apresentar uma representação contra o soldado. “Isso é comum acontecer”, afirmou.

O presidente acusou a oposição de querer que ele seja punido a cada denúncia apresentada contra si. “Não é porque você foi acusado de alguma coisa…eu duvido quem já não tenha sido acusado de alguma coisa, eu duvido, e às vezes com razão, outras vezes não. O ônus da prova cabe a quem acusa”, afirmou Bolsonaro. A seguir, ele disse já ter sido punido no Exército com 15 dias de cadeia.

Durante a fala, Bolsonaro não citou Pazuello. Mais cedo, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, aceitou a pressão e a interferência de Jair Bolsonaro e decidiu livrar o general de qualquer punição por ter participado de um ato ao lado do presidente. Oliveira acatou o argumento de Bolsonaro, Pazuello e generais da reserva que integram o governo. Para eles, o ato político no Rio de Janeiro, no último dia 23, não teve conotação partidária. O comandante arquivou o processo aberto para investigar transgressão disciplinar por parte do ex-ministro da Saúde.

Em nota publicada no site da Força, de forma discreta e sem alarde, o Exército afirmou que “o comandante analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente pelo referido oficial-general”.

“Desta forma, não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar por parte do general Pazuello. Em consequência, arquivou-se o procedimento administrativo que havia sido instaurado”, diz o comunicado