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Em Interlagos só podem entrar vacinados e Bolsonaro não está, diz Doria

Dória alfinetou Bolsonaro durante entrevista, horas antes da prova

João Doria, governador de SP
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o prefeito paulista, Ricardo Nunes (MDB), concordaram em não convidar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e outros representantes do governo federal para o GP de São Paulo de F1, que acontece neste domingo (14), em Interlagos.

Doria ainda alfinetou Bolsonaro ao dizer, durante entrevista horas antes da prova, que somente pessoas vacinadas poderiam entrar no autódromo. A vacinação é uma das exigências a todos que estiverem no evento, de acordo com o protocolo da organização.

“Aqui no autódromo de Interlagos só podem entrar pessoas vacinadas e o presidente da República do Brasil, como sabem, não está vacinado. Logo, não pode ter acesso ao autódromo nem como convidado nem se tivesse comprado o seu ticket porque aqui só entram pessoas vacinadas”, afirmou Doria.

O governador concedeu entrevista coletiva na manhã deste sábado, em Interlagos, ao lado de Nunes e também de Tomás, filho de Bruno Covas, prefeito morto em maio deste ano. O italiano Stefano Domenicali, atual diretor-executivo da F1, e o diretor da empresa promotora do evento MC Brazil, Alan Adler, sentaram à mesa.

Doria dedicou a realização do GP de São Paulo a Covas. Foi o então prefeito que, desde o final de 2018, designou uma força-tarefa, liderada pelo secretário municipal de Turismo, Orlando Faria, para renovar o contrato com a F1 pelos próximos dez anos, sob a justificativa de o evento ser um dos mais rentáveis para São Paulo -à frente, por exemplo, do Carnaval.

A empresa MC Brazil, que é contratada pela prefeitura para organização da prova, diz que, de forma protocolar, enviou o convite para Bolsonaro comparecer ao autódromo de Interlagos neste final de semana. Mas não houve retorno do governo federal.

Procurada pela Folha na sexta-feira (12), a assessoria do Ministério da Cidadania informou que o secretário especial de esporte, Marcelo Reis Magalhães, havia recebido o convite da empresa. Magalhães e André Barbosa Alves, secretário-adjunto da pasta, justificaram suas ausências por indisponibilidade na agenda.

Já o Palácio do Planalto não respondeu se haverá alguém da equipe presidencial em São Paulo.
Pré-candidato do PSDB à presidência no pleito de 2022, o governador João Doria ambiciona capitalizar a continuidade da F1 em Interlagos, agora batizado como GP de São Paulo, e com a grande presença de público nas arquibancadas em meio à pandemia de Covid-19.

Durante a semana, o tucano também não perdeu a chance de provocar Bolsonaro. “Temos mais dez anos de Grande Prêmio de São Paulo. Lá atrás eu disse que não perderíamos a F1, o Bruno Covas era vivo e estava sempre ao meu lado. Contrariei o presidente da República, e a F1 estará em São Paulo”, afirmou Doria, na quarta (10).

A frase soa como um desabafo após as dificuldades dos paulistas em renovar o contrato com a F1. Interlagos recebe a principal categoria do automobilismo desde 1990, de forma ininterrupta -com exceção da edição de 2020, cancelada em razão da pandemia de Covid-19.

O Rio de Janeiro tinha interesse em sediar o GP Brasil e, desde 2019, contava com o empenho de Bolsonaro, que assinou termo de cooperação para levar o circuito para a capital fluminense. O presidente também se reuniu com Chase Carey, chefe da FOM (Formula One Management), braço comercial da F1. Domenicali, atualmente, é quem ocupa o cargo de Carey.

Com essa queda de braço, a FOM partiu para um leilão entre São Paulo e Rio.
A prefeitura, na época administrada por Bruno Covas, e o governo abriram os cofres públicos para garantir uma renovação com a FOM por cinco temporadas, de 2021 a 2025 com possibilidade de renovação por mais cinco.
Anualmente, a prefeitura pagará à FOM US$ 25 milhões (R$ 138 milhões). Desse montante, o governo estadual irá arcar com US$ 10 milhões (R$ 55 milhões).

Em contrapartida ao pagamento da taxa, a prefeitura de São Paulo ganhou espaço para publicidade na corrida e repassou quatro cotas à gestão Doria, no valor estimado de R$ 8 milhões cada uma.
De acordo com Vinicius Lummertz, secretário estadual de Turismo, São Paulo negociou três cotas, no total de R$ 18 milhões, para grupos empresariais.

Já a prefeitura deverá utilizar os espaços para campanhas institucionais.
Além da taxa à FOM, o órgão municipal gastou R$ 10 milhões com reparos no autódromo e pagou R$ 20 milhões à MC Brazil Motorsport Holding, que se compromete com a montagem da estrutura e organização do evento na capital paulista.

Por Carlos Petrocilo e Luciano Trindade