Senador pede convocação de Dino e diz ter alertado sobre ataques no DF

Aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Do Val, que integra a comissão do Senado que fiscaliza os órgãos de inteligência

Marcos do Val (Podemos-ES) disse que vai convocar o ministro da Justiça e Segurança Pública para prestar esclarecimentos sobre os ataques às sedes dos Três Poderes por vândalos bolsonaristas no último domingo (8/1).

Aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Do Val, que integra a comissão do Senado que fiscaliza os órgãos de inteligência, destacou que a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) enviou relatório ao ministério da Justiça com 24h de antecedência sobre os ataques terroristas.

À Veja, o senador também afirma que tentou comunicação com o ministro Flávio Dino por meio de mensagens para alertá-lo, e diz que usará os prints para confrontá-lo quando for convocado para prestar explicações no Senado, após o recesso parlamentar.

“A Abin avisou ao presidente da República e ao ministro da Justiça que não seria uma manifestação pacífica. O presidente sabia que as pessoas tinham a intenção de entrar nos prédios para destruir. E ele deixou acontecer por questões políticas, esse é a verdade”, declarou Marcos Do Val.

Ao UOL, Flávio Dino negou que tenha recebido mensagens de Marcos Do Val sobre alertas de ataques terroristas. O ministro ressaltou que o senador capixaba enviou mensagens com o intuito de falar sobre a revogação da norma que facilitava o acesso a armas, sem qualquer menção aos atos de vandalismos que viriam a ser praticados por bolsonaristas.

“Tomarei posse como senador no dia 1º de fevereiro. Logo, será sempre um prazer conversar com meus colegas senadores, sobre qualquer assunto.

Inclusive sobre terroristas e seus aliados, abrangidos ou disfarçados, que querem desviar o foco do real debate para proteger criminosos”, disse.

Abin alertou sobre riscos. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a Abin produziu diversos alertas sobre os ricos de ataques a prédios públicos pelos radicais bolsonaristas.

Em um dos relatórios, a agência destaca que houve aumento no número de fretamentos de ônibus com destino a Brasília para o final de semana em que bolsonaristas praticaram atos de terrorismo na capital federal.

“Mantêm-se convocações para ações violentas e tentativas de ocupações de prédios públicos, principalmente na Esplanada dos Ministérios”, diz o relatório escrito no sábado (7/1), um dia antes dos ataques.

Em coletiva de imprensa após os ataques, o ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino responsabilizou a Polícia Militar do Distrito Federal pelas cenas de vandalismo.

Conforme Dino, o governo federal fez “o possível”, mas “a esfera federal só age [em temas de segurança] quando a esfera local falha”. “Cada um tem seu papel”, afirmou.

Ainda, Dino também ressaltou que o governo do Distrito Federal mudou na véspera dos ataques o esquema de segurança que havia sido acertado. Ele disse que o combinado com o governo local não previa a circulação de pedestres na Esplanada dos Ministérios.

“Nos dias que antecederam esses episódios, inéditos no Brasil, houve uma preparação que se baseou nas responsabilidades constitucionais do governo do Distrito Federal. Não obstante, a esse entendimento, nós tivemos uma mudança de orientação administrativa ontem, em que o planejamento que não comportava a entrada de pessoas na Esplanada foi alterado na última hora”, declarou.

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