YouTube remove entrevista em que Bolsonaro fala de venezuelanas

Segundo a plataforma, presidente fez declarações falsas sobre Covid na participação em podcast

O YouTube removeu da plataforma a entrevista em que o presidente Jair Bolsonaro diz que “pintou um clima” entre ele e adolescentes venezuelanas, declaração que viralizou nas redes sociais e virou munição de seus adversários.

O vídeo completo da entrevista foi apagado dos canais dos torcedores e influenciadores do Palmeiras, Flamengo e Vasco que conduziram a conversa na última sexta-feira (14).

Segundo disse o YouTube por meio de sua assessoria, o vídeo viola as regras da plataforma sobre Covid, ao divulgar informações falsas sobre a doença.

Em sua participação no programa, Bolsonaro falou sobre a pandemia e disse que não houve morte de crianças em decorrência da Covid. No país, houve 1.860 óbitos desde 2020 de crianças de 0 a 12 anos por complicações provocadas pelo coronavírus.

“Você não viu moleque morrendo de vírus por aí. Alguém conhece algum filho de alguém que morreu de vírus? Não tem”, disse o presidente, na ocasião.

Aos canais responsáveis pelo vídeo o YouTube informou que a entrevista de mais de uma hora de duração foi removida por violar “a política sobre informações médicas incorretas” da comunidade.

O youtuber palmeirense Fernando Baliza, do canal “Não Importa o Que Digam,” um dos afetados, criticou a rede social e afirmou em seu Instagram: “A censura começou”.

Já o flamenguista Gabriel Reis, do Paparazzo RubroNegro, confirmou em contato com a reportagem do UOL que o conteúdo foi removido também de sua conta. Ele disse que dessa forma o público perde a chance de entender o contexto da fala de Bolsonaro. “Eu, definitivamente, nunca mais falo de política num país com censura”, afirmou.

Outro canal afetado foi o vascaíno Futbolaço Podcast. A fala sobre a condição das adolescentes venezuelanas continua no ar em outros canais.

DECLARAÇÃO PROVOCA INDIGNAÇÃO E AÇÕES NO STF

Na entrevista aos influenciadores, Bolsonaro afirmou que, durante um passeio de moto pela periferia do Distrito Federal, encontrou um grupo de venezuelanas “bonitinhas” de 14 ou 15 anos, que estavam se arrumando para sair num sábado de manhã. O presidente e candidato à reeleição disse então que “pintou um clima” e se convidou para entrar na casa delas, quando teria constatado que as meninas estariam ali para se prostituir.

Bolsonaro usou a história para criticar o governo de esquerda da Venezuela, mas a expressão “pintou um clima” despertou críticas sobre a conotação sexual do encontro dele, um homem de 67 anos, com as adolescentes.

A expressão “Bolsonaro pedófilo” figurou nos termos mais comentados do Twitter, e o presidente fez uma live na madrugada deste domingo (16) para negar que tenha atração sexual por menores de idade.

Três ações foram protocoladas no Supremo Tribunal Federal para que o presidente se explique sobre a declaração. Enquanto a campanha de seu adversário, Lula (PT), usa o vídeo para criticar o presidente, Bolsonaro impulsiona anúncios no Google para negar que seja pedófilo.

Em reportagem do UOL, uma das venezuelanas visitadas por Bolsonaro negou que as adolescentes retratadas por ele estejam envolvidas em exploração sexual.

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