Da redação
Do Mais Brasília

Avalanche de fake news e trotes à polícia prejudicam buscas por Lázaro Barbosa

Forças de segurança contam com o apoio da população para a comunicação apenas de fatos. Checagem de falsos comunicados compromete os trabalhos

Local onde foi montada nova base. Ao fundo, próximo às árvores, ponto onde tiros foram disparados. Foto: Paula Coutinho

As buscas pelo foragido Lázaro Barbosa, 33 anos, continuam. Esta sexta-feira (18/6) é o décimo dia em que a força-tarefa policial, montada exclusivamente para capturar o procurado por diversos crimes, que está assustando as cidades e povoados goianos no entorno do DF, trabalha na checagem de informações.

Nesta quinta-feira (17/6), por volta das 17h, policiais dispararam dezenas de tiros numa localidade bem próxima a residências, na região do povoado Girassol, às margens da BR-070. Isso ocorreu logo após moradores da região relatarem aos homens da força-tarefa policial que tinham acabado de avistar Lázaro no local.

Um dos moradores chegou a dizer à imprensa e a polícia que a filha dele viu Lázaro Barbosa atravessando a rodovia, se escondendo numa pequenina casa abandonada e inacabada, construída no local. Esse morador também afirmou que Lázaro estaria se disfarçando de morador de rua. Outros moradores, talvez agoniados com a movimentação dos carros das forças policiais, também afirmaram ter visto Lázaro. E o tiroteio começou.

O local dos disparos (troca de tiros, segundo a polícia) fica apenas a cerca de dois quilômetros da nova base montada pela força-tarefa, em frente à Escola Municipal Alto da Boa Vista. No momento em que estavam ocorrendo os disparos, algumas emissoras de TV, sites e perfis no Instagram chegaram a transmitir um vídeo de um local semelhante à vegetação e à mata das margens da BR-070, próximo à nova base, em Girassol, onde a polícia estava checando a ocorrência.

Como a polícia estava no local, moradores alegaram ter visto Lázaro. Houve os disparos e a imprensa divulgou o vídeo. Mas a notícia era fake, ele não estava lá.

 

Aposta na estratégia

É muito fácil chegar ao local, é muito fácil acionar a polícia e/ou a imprensa. Todos os moradores da região têm acesso à nova base e podem se aproximar. E é para ser assim mesmo, exatamente para facilitar o trabalho da polícia e da imprensa.

Mas o que a população por vezes não sabe ou esquece de considerar é que a polícia trabalha também, e principalmente, com checagem de informações e ocorrências.

Trocando em miúdos, isso quer dizer que um morador ou qualquer pessoa que vá à base ou ligue e diga que viu Lázaro Barbosa, que Lázaro estava ali, que Lázaro passou na região, ou que Lázaro entrou numa residência, será atendido pela polícia, que irá checar a informação para constatar se é verdade ou não. Isso se chama checar ocorrência, e funciona e é para funcionar quando as pessoas falam a verdade.

Infelizmente, está ocorrendo uma avalanche de fake news espalhadas para a mídia e de trotes para a polícia. No caso de Lázaro Barbosa, que virou manchete nacional, com toda a impresa do País divulgando as notícias em tempo real, com várias emissoras de TV no local, algumas com duas equipes ao mesmo tempo para não perder o momento da captura (seja lá qual for esse momento, em que dia e hora, ou se esse momento tão esperado irá mesmo ocorrer), essas informações erradas estão fazendo com que a polícia vá a locais que Lázaro não tenha passado realmente.

Nesta quinta-feira (17/6), após exibir extensa reportagem com o passo a passo do caso, com a ficha policial de Lázaro Barbosa, o Jornal Nacional, na TV Globo, orientou a população, pedindo para que as pessoas não divulguem fake news. Quase sempre, nas coletivas à imprensa dadas pelo secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, Rodney Miranda, ele também solicita aos moradores que não passem trotes na polícia. Porque, mesmo que seja uma parcela muito pequena da população que pratica esse ato (criminoso, diga-se), isso prejudica muito o trabalho das buscas.

 

Nova base

De acordo com o secretário de segurança pública de Goiás, Rodney Miranda, a decisão de transferir a base para o local em frente à escola municipal foi tomada justamente para facilitar o trabalho da força-tarefa. Porque nesse novo local o acesso à internet é melhor, existe um pequeno comércio com quatro mercadinhos, lanches, bares, ao lado da escola. E seguindo pela rua, na mesma direção, três quadras à frente, há um restaurante.

As buscas prosseguem. A expectativa em torno da captura é grande, as equipes policiais e jornalísticas seguem no caso.